Relato de uma testemunha
Ninguém acreditou em mim quando contei o que vi naquela avenida.
Sexta-feira · fim de tarde
“Olha, eu tava ali do lado, tinha acabado de sair do trabalho, era sexta, fim de tarde, aquele solzão baixo, um vento gostoso… e passou uma moto tranquila, nem tava correndo, e do nada eu escuto aquele barulho, moço, aquele tipo de barulho que a gente não esquece nunca mais… quando eu olhei o rapaz já tava no chão, a moto toda espatifada, um pedaço pra cada lado, e a moça desceu do carro correndo, branca que nem papel, pedindo perdão… e é aí que vem a parte que ninguém acredita quando eu conto, viu, porque no meio daquela confusão toda ele tirou o capacete, olhou pra ela, e os dois ficaram ali, parados, foi como se o mundo tivesse desligado por um segundo… eu juro que parecia que aqueles dois já se conheciam de algum lugar, um lugar que ninguém sabe explicar… nunca vi uma coisa daquelas na vida, e até hoje eu fico pensando o que será que aconteceu com aqueles dois depois.”
Sérgio Andrade, 52 anos
Capítulo 1 · trecho
Você ouviu quem viu. Agora leia quem estava no chão.
Já ia Paulo em sua Honda África Twin, acelerando tranquilamente na avenida Cristiano Machado, em Belo Horizonte. Era final de tarde de uma sexta com um lindo pôr do sol do mês de maio. Saiu mais cedo um pouco do trabalho, como de costume nas sextas-feiras. A velocidade? Não sei! Nem ele sabia! Quem se importa? Com tanta paz em meio ao trânsito naquele momento, Paulo só queria sentir o vento. Ele conversava com Deus, o agradecia e dizia-se plenamente confiante em sua vontade, até que uma Mercedes GLC 63 entra em seu caminho repentinamente. O impacto foi inevitável!
Paulo sente um poderoso golpe que o arremessa longe. Foram apenas 10 segundos de pura confusão misturada com susto. Momentos únicos que expeliam caos e medo. Sons de freadas bruscas complementavam aquele cenário que, embora preocupante, era comum pela cidade.
Entre pancadas no braço, capacete e uns 20 metros rolando, Paulo sente o grosso asfalto encostar em partes do seu corpo, deitado e completamente confuso. Sua calça jeans rasgou e parte de sua camisa também. Naquele momento, Paulo sente uma pressão na cabeça e tudo soa meio embaçado. Abrindo os olhos, ele observa muitas pessoas em volta e um som que vai se tornando cada vez mais nítido. Entre burburinhos, especulações e gente tentando falar com ele, Paulo escuta uma doce voz feminina: “Moço, pelo amor de Deus, me perdoa! Você tá bem? Eu desviei rápido de um cachorro! Por favor! Eu vou pagar tudo [...]”.
Paulo se levanta de forma abrupta e retira rápido o capacete com sua mão direita, jogando-o de qualquer maneira para o lado. O que era um cenário de caos, se transformou em uma catarse de ocitocina. Paulo olhou atentamente para a dona daquela voz, a Ana Clara, e por um instante não havia mais nada no mundo. Completamente estarrecido, Paulo se depara com a mulher mais bonita que já havia visto: olhos grandes, cabelo liso e longo, lábios carnudos e uma feição delicada. Ao mesmo tempo, Ana Clara olha profundamente nos olhos de Paulo e, como a explosão de uma supernova, seus olhares se chocam e a jovem sentiu um arrepio inexplicável. Ela não havia achado aquele homem apenas incrivelmente lindo, mas era como se houvesse uma energia diferente, algo semelhante a uma “esperança”.
continua…
E se o pior dia da sua vida fosse, na verdade, o começo de tudo?
Romance · em breve
Nada disso
era pra acontecer
Em breve, físico e digital
O que aconteceu depois daquele olhar está no capítulo 1 completo. Ele já está esperando por você no grupo fechado.
Quero ler o capítulo 1 inteiroGrátis · grupo fechado do WhatsApp · saia quando quiser